
Irã Utiliza Televisão Estatal para Exibir Confissões Forçadas de Cristãos
No Irã, a repressão contra cristãos e outras minorias religiosas tem se intensificado de maneira alarmante. Recentemente, a televisão estatal iraniana, IRIB (Islamic Republic of Iran Broadcasting), veiculou um documentário que apresenta confissões forçadas de cristãos convertidos, acusando-os de crimes que em sua maioria são falsos e fabricados. Essa prática se insere em uma estratégia contínua de intimidação e controle social por parte do regime.
Contexto de Perseguição Religiosa
A comunidade cristã no Irã enfrenta um ambiente hostil, caracterizado por espionagem e perseguição. O governo tem adotado medidas rigorosas para silenciar aqueles que se afastam do islamismo, especialmente os que se convertem ao cristianismo. Segundo a HRANA (Agência de Direitos Humanos do Irã), a repressão inclui não apenas prisões, mas também a disseminação de propaganda que visa deslegitimar essas comunidades religiosas.
Documentário de Propaganda
Recentemente, após a prisão de diversos cristãos convertidos, o telejornal noturno da IRIB exibiu um documentário que insinuava que esses indivíduos estavam envolvidos em atividades que ameaçam a segurança nacional. Os cristãos foram rotulados como “evangelistas” e acusados de manter laços com entidades estrangeiras, participar de acampamentos religiosos fora do país, e colaborar com grupos de oposição ao regime.
O documentário, produzido em colaboração com Ameneh Sadat Zabihpour, uma figura associada a órgãos de segurança, utiliza uma narrativa que distorce a realidade, apresentando as práticas religiosas e sociais dos cristãos como atividades criminosas.
Alegações e Supostas Evidências
Durante a exibição, o repórter apresentou o que seriam evidências de ameaças à segurança. Entre essas alegações, mencionou-se a participação em viagens à Turquia, o envolvimento em um “Campo Armênia”, e contatos com grupos considerados sionistas. Tais atividades, que são normais em contextos religiosos e sociais, foram transformadas em acusações de conluio contra a segurança do Estado.
Na parte final do documentário, foram mostradas imagens de detidos que, sob circunstâncias não esclarecidas, pareciam estar fazendo confissões. Organizações de direitos humanos afirmam que essas declarações foram obtidas sob pressão, coação ou ameaça.
Confissões Forçadas e Violação de Direitos
As confissões forçadas têm se tornado uma prática comum no Irã, utilizadas para justificar a repressão contra minorias religiosas e dissidentes. Essa abordagem é amplamente condenada por organizações internacionais, que denunciam a violação dos direitos fundamentais dos acusados, incluindo o direito a um julgamento justo.
O uso de documentários e confissões forçadas não apenas prejudica os indivíduos envolvidos, mas também serve para criar um ambiente de medo e intimidação dentro da comunidade cristã. Nos últimos anos, muitos cristãos convertidos enfrentaram acusações infundadas e foram condenados a penas severas, incluindo longos períodos de prisão e exclusão social.
Números Alarmantes de Prisões
De acordo com informações do Ministério da Inteligência do Irã, pelo menos 53 cristãos convertidos foram presos durante uma operação conhecida como “Guerra dos 12 Dias”. A HRANA também registrou em 2024, 28 casos de confissões forçadas entre prisioneiros, evidenciando a continuidade dessa prática abusiva.
A extração e exibição de declarações coercitivas por parte do aparato de segurança iraniano remontam aos primeiros anos do regime, e o número de casos registrados tem aumentado significativamente. Durante os protestos que ocorreram em 2022, por exemplo, foram documentados 391 casos de confissões forçadas, um número que ilustra a gravidade da situação.
Conclusão
A repressão contra cristãos no Irã é uma realidade alarmante que não pode ser ignorada. As práticas de intimidação, como a apresentação de confissões forçadas na televisão estatal, são uma violação grave dos direitos humanos e precisam ser denunciadas. A comunidade internacional deve prestar atenção a essas questões e pressionar o regime iraniano a respeitar a liberdade religiosa e os direitos fundamentais de todos os seus cidadãos.