
Lula muda tom e busca alianças com a direita antes da eleição
No cenário político atual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado uma nova abordagem, buscando alianças com figuras da direita em um contexto de eleições presidenciais se aproximando. Diante de um ambiente adverso na América Latina, caracterizado pela nova estratégia de segurança nacional do governo de Donald Trump, Lula recalibra sua política externa, visando fortalecer a imagem do Brasil e garantir um posicionamento mais pragmático.
O governo já iniciou esforços para estreitar relações com países vizinhos e líderes de ideologias diferentes. O Itamaraty, ministério das Relações Exteriores, está priorizando esta nova estratégia ao longo do primeiro semestre de 2026, com Lula planejando visitas ao exterior. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem sido mobilizado para facilitar esses contatos e transmitir a visão do governo.
Visitas e diálogos com líderes latino-americanos
Recentemente, Lula teve uma conversa telefônica de quase uma hora com Donald Trump, marcando um novo capítulo nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Eles agendaram uma visita de Lula a Washington no final de fevereiro, o que pode simbolizar uma mudança significativa na diplomacia brasileira em relação ao governo americano. Esta aproximação é vista como estratégica, considerando a necessidade de um alinhamento que evite embates desnecessários e busque interesses comuns.
Além disso, Lula desembarcou no Panamá para demonstrar a presença do Brasil na região e expressar sua disposição de colaborar com líderes latino-americanos, independentemente de suas ideologias. Durante essa visita, ele reforçou a proposta de uma nova abordagem para a América Latina, em contraste com a antiga doutrina Monroe, sugerida por Trump. Lula defende que o hemisfério deve ser um espaço de cooperação, e não um “quintal” dos Estados Unidos.
Diálogos com líderes de direita
Um dos principais compromissos de Lula no Panamá foi a reunião com José Antonio Kast, o novo presidente do Chile, que assume em março. Kast, associado a uma imagem positiva da ditadura de Augusto Pinochet, é um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e crítico de Lula. Durante o encontro, ambos discutiram a importância da colaboração entre Brasil e Chile, especialmente em áreas como infraestrutura, comércio e segurança.
Kast expressou sua gratidão pela reunião, destacando que a colaboração entre os dois países é crucial para enfrentar os desafios da América do Sul, como segurança e superação da pobreza. Lula, por sua vez, enfatizou a necessidade de estreitar laços bilaterais e expandir a cooperação em projetos concretos que beneficiem a região.
O governo brasileiro também espera estabelecer um diálogo com Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, que recentemente derrotou o Movimento ao Socialismo, encerrando duas décadas de domínio da esquerda. Essa interação é vista como uma oportunidade para consolidar a nova política externa de Lula, que se propõe a ser menos ideológica e mais focada em resultados práticos.
Desafios e perspectivas para a política externa
Um dos grandes desafios enfrentados por Lula é a sua relação com a Venezuela e o desgaste que essa questão causou em sua imagem. O presidente já havia se distanciado do governo de Nicolás Maduro após as fraudes eleitorais em 2024, reconhecendo que a questão venezuelana trouxe complicações às suas alianças políticas. A atual estratégia de Lula é evitar a formação de grupos de oposição, como o “Grupo de Lima”, que atuou contra Maduro.
O governo brasileiro busca focar em temas sensíveis e relevantes para as eleições, como o comércio e a segurança pública. Lula planeja implementar propostas concretas de cooperação, incluindo um plano já enviado ao Departamento de Estado dos EUA e a criação de um centro de cooperação policial em Manaus.
Com novas eleições à vista no Brasil, Peru e Colômbia, a expectativa é de uma onda de candidatos de direita ganhando destaque na política sul-americana. Essa mudança pode isolar a esquerda na região, deixando o México e o Uruguai como exceções. Lula pretende conter os danos e minimizar riscos, especialmente em relação a possíveis interferências externas nas eleições brasileiras.
Os esforços do governo, liderados pelo ministro Mauro Vieira, incluem visitas a países governados pela direita em busca de fortalecer laços políticos. As prioridades incluem manter um diálogo aberto, mesmo diante de divergências ideológicas, e garantir que o Brasil esteja preparado para enfrentar os desafios contemporâneos na América Latina.
A nova estratégia de Lula não apenas reflete uma adaptação às circunstâncias políticas, mas também um reconhecimento da necessidade de colaboração e diálogo construtivo, independentemente das diferenças ideológicas. A capacidade do Brasil de se posicionar como um ator relevante no cenário internacional dependerá da habilidade de Lula em navegar essas complexidades e construir alianças duradouras.